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terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Palco, o Palanque e a Autonomia Artística: O limite do "Showmício" em Espaços Pagos

Imagem Ilustrativa

    A linha que separa uma apresentação cultural de um ato político vem se tornando cada vez mais tênue nos palcos brasileiros, gerando debates acalorados sobre legislação eleitoral, liberdade de expressão e o respeito ao público pagante. Na noite de 27 de setembro, o palco do Sesc Vila Mariana foi cenário de uma homenagem ao compositor e músico João Donato e lançamento do álbum Viva Donato (Selo Sesc). O que se desenhava como uma noite de celebração da música brasileira terminou com um gesto que dividiu a plateia: ao final do show, artistas fizeram o "L" com as mãos e incentivaram o público a se manifestar politicamente. Marcos Valle, Mônica Salmaso, Joyce Moreno, Paula Morelenbaum, Donatinho e Patrícia Alvi ergueram as mãos com o sinal de "L" e estimularam a plateia a interagir num showmício declarado.




A fusão entre shows com cobrança de ingressos e manifestações político-partidárias tem levantado questionamentos éticos e legais. O público que adquire um ingresso é formado por cidadãos com diferentes visões de mundo. Ao transformar o palco em palanque, impõe-se um discurso político unilateral a quem pagou para consumir cultura, criando um ambiente onde parte da plateia pode sentir-se excluída.

A Reação Política: A Denúncia de Carlos Viana

Esse episódio não é um fato isolado e já chegou à esfera jurídica. O senador Carlos Viana tem atuado fortemente contra o que considera infrações à legislação eleitoral em eventos culturais. Recentemente, o parlamentar protocolou denúncias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra artistas como Ivete Sangalo, que realizou gesto semelhante em resposta ao público durante um show em Belo Horizonte.

Em vídeo publicado em suas redes sociais ( veja a manifestação do senador aqui), Viana argumenta que essas atitudes ferem a lei eleitoral, configurando a prática de "showmício" — eventos organizados com o intuito de promover candidaturas, o que é vedado pela legislação. Para o senador e seus apoiadores, a cobrança de ingressos não isenta o evento de se tornar uma plataforma irregular de campanha quando há incitação explícita por parte dos artistas.

A Posição do Sesc: Autonomia Artística e Pluralidade

Questionado pela nossa redação sobre a adequação do uso de sua infraestrutura para atos de proselitismo político e sobre o respeito à diversidade do público pagante, o Sesc São Paulo enviou um posicionamento oficial, distanciando a instituição da atitude dos músicos e defendendo a liberdade de expressão.

Em nota, a instituição declarou:

"O Sesc São Paulo é uma instituição apartidária e não manifesta apoio a partidos, candidaturas ou correntes político-partidárias.

A instituição pauta sua atuação pelo respeito à pluralidade de ideias, à liberdade de expressão e à diversidade de seus públicos, princípios que orientam sua atuação nos campos da cultura, educação, esporte, lazer e assistência. Informações sobre atuação, estrutura institucional e instrumentos de transparência e conduta estão apresentados publicamente em nosso portal sescsp.org.br.

No contexto de sua programação cultural, o Sesc reconhece e preserva a autonomia artística como princípios transversais ao respeito à pluralidade, à cidadania, ao diálogo e à convivência democrática. Eventuais manifestações de caráter pessoal realizadas por artistas durante suas apresentações são de responsabilidade de seus próprios autores e não representam posicionamento político ou institucional do Sesc São Paulo.

A diversidade de opiniões de seus públicos reafirma seu compromisso em manter seus espaços abertos à expressão artística, ao encontro e à convivência entre pessoas com diferentes perspectivas e visões de mundo."


O Debate que Fica


A resposta do Sesc evidencia a complexidade da questão: de um lado, a defesa irrestrita da autonomia artística, blindando a instituição das opiniões pessoais de seus contratados; de outro, a frustração de parte do público e a vigilância de parlamentares que enxergam uma violação da isonomia eleitoral disfarçada de performance.

O debate transcende a preferência partidária. A questão central que se impõe à sociedade, aos legisladores e aos gestores culturais é a definição de limites. Até que ponto a liberdade individual do artista sobrepõe-se à finalidade original de um espetáculo pago? Enquanto a Justiça Eleitoral e as instituições não delinearem contornos mais claros para essas situações, o palco continuará sendo, para o bem ou para o mal, uma extensão improvisada do palanque.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

O Fio da Navalha em Brasília: Espionagem, Paralisia Institucional e a Queda da Cúpula da Polícia Federal


Os corredores do poder em Brasília testemunharam o desdobramento de uma trama política de alta tensão, narrada em tempo real pelo senador Carlos Viana nas escadarias da Polícia Federal. O cenário desenhado pelo parlamentar é o de uma República fraturada, assolada por espionagem ilegal, chantagens institucionais e uma paralisia proposital do Legislativo. No centro do escândalo, um suposto esquema de monitoramento clandestino que teria como alvo o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, operado pela cúpula do aparato de segurança do Estado.

Com um tom de gravidade, Viana traçou a anatomia do que classificou como a maior crise desde a redemocratização. De um lado, acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de asfixiar o Congresso Nacional. Segundo o senador, a recusa de Alcolumbre em convocar sessões e destravar os processos no Conselho de Ética funciona como um escudo pessoal. O silêncio forçado do Senado serviria para abafar denúncias explosivas envolvendo o lobista Daniel Vorcaro, o escândalo do Banco Master, supostos repasses de 155 milhões de reais e festas obscuras sediadas na residência oficial da presidência da Casa.

Do outro lado do tabuleiro, o conflito se estende à Suprema Corte. Viana apontou o dedo para o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de utilizar relatórios apócrifos sem origem rastreável para incriminar Mendonça no inquérito das fake news, agindo em um esforço para blindar o próprio poder e silenciar questionamentos. Diante do colapso das garantias legais, o senador anunciou que acionaria a Corregedoria, exigindo uma devassa interna no serviço de inteligência e pedindo abertamente a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, o então diretor-geral da Polícia Federal.

O ápice desta narrativa ocorreu de forma cinematográfica diante das câmeras. Enquanto Viana discursava e clamava por intervenção, a notícia rompeu o protocolo: o próprio ministro André Mendonça havia acabado de assinar uma ordem determinando o afastamento imediato de Andrei Rodrigues e de todo o comando da inteligência da corporação. A reviravolta transformou a indignação do senador em celebração instantânea. Para Viana, a queda da cúpula policial provou que a pressão e a coragem institucional ainda podem desarmar o uso do Estado como máquina de chantagem. O episódio não apenas expôs as vísceras de um conflito entre os poderes, mas cravou um ultimato aos eleitores: as engrenagens da democracia estão sob fogo cruzado, e o resgate das instituições exigirá que a população cobre atitude imediata de seus representantes.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

7 de Setembro na Paulista: Crise no STF Domina Atos da Direita em São Paulo



    Neste 7 de setembro de 2026, a Avenida Paulista foi novamente o principal palco das manifestações políticas da direita, marcadas por um forte tom de insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os protestos ocorreram em meio a um acirramento da crise institucional envolvendo ministros da Corte.

    Múltiplos Focos na Capital Paulista

    Diferente de anos anteriores onde havia uma concentração única, a direita pulverizou suas manifestações na capital. A campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) convocou seus apoiadores para a Avenida Paulista às 15h, adotando as palavras de ordem "Fora Lula" e "Fora Moraes". O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também era esperado no evento.

    Mais cedo, o candidato à presidência Romeu Zema (Novo) programou uma caminhada na Paulista às 9h20. Em comunicado, Zema declarou que a manifestação pertencia aos "indignados com esses intocáveis lá de Brasília".

    Fora da Paulista, o candidato Renan Santos (Missão) reuniu-se com seus apoiadores no Obelisco do Ibirapuera, às 11h, também em protesto contra o STF. Durante seu discurso, Renan Santos pediu a saída dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, afirmando que o país precisa de uma "nova independência".

O Pano de Fundo: Tensão no STF


    As mobilizações deste ano ganharam combustível extra com as recentes tensões no STF. Na semana que antecedeu o feriado, o ministro André Mendonça divulgou um relatório expondo supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    O documento indicava que Vorcaro teria consultado Moraes sobre os riscos de ser preso antes da expedição de seu mandado de prisão, em novembro de 2025. O vazamento dessas informações resultou em um pedido de investigação de Moraes contra Mendonça por crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Nos atos de hoje, André Mendonça foi frequentemente tratado como herói pelos manifestantes, chegando a ser representado por um boneco inflável.

Incidentes Isolados

    Apesar do clima geral, houve registro de confusão nos arredores da Avenida Paulista. Antes do início dos atos principais da direita, a Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar um grupo. Relatos da PM indicaram que se tratava de um grupo de esquerda que tentava acessar a via.

    Enquanto São Paulo concentrava as principais atenções, atos semelhantes miraram Moraes e Lula em pelo menos outras sete capitais brasileiras, incluindo Brasília e Belo Horizonte, consolidando o 7 de setembro, mais uma vez, como uma vitrine política significativa no ano eleitoral.


Cenas da contenção militar a manifestantes que tentavam invadir espaço da manifestação 
da Direita na Paulista


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