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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A Construção Partidária como Pilar da Democracia Representativa



Por: Claudia Souza


Na contemporaneidade, as democracias representativas enfrentam uma profunda crise de confiança, muitas vezes agravada pelo distanciamento entre a classe política e o cidadão comum. Nesse cenário, a construção de um partido político de sucesso não pode se limitar à manutenção de uma "máquina eleitoral" ativada apenas às vésperas dos pleitos. Pelo contrário, a consolidação de uma base partidária forte e duradoura exige a formulação de uma identidade ideológica clara, a descentralização das lideranças e a promoção do engajamento cívico contínuo.

Em primeiro lugar, é imperativo que a organização política possua uma espinha dorsal de princípios inegociáveis. A mobilização genuína de indivíduos ocorre quando há uma identificação profunda com causas e valores, e não apenas com projetos de poder a curto prazo. Partidos que tentam agradar a todos com discursos vazios tendem a perder sua identidade e, consequentemente, a lealdade de seus membros. Portanto, traduzir princípios abstratos em propostas concretas que dialoguem com a realidade da população é o passo inicial para formar uma militância autêntica e resiliente, capaz de defender o projeto mesmo em cenários adversos.

Além de um propósito bem definido, a verdadeira força de um partido reside em sua capilaridade social. A centralização excessiva das decisões em diretórios nacionais sufoca a vitalidade política. Para que a base cresça e prospere, é necessário mapear, recrutar e dar autonomia a lideranças locais, sejam elas comunitárias, estudantis ou do setor produtivo. São esses líderes que vivenciam as dores diárias de seus bairros e municípios, atuando como a principal ponte entre a sociedade civil e a estrutura do partido. Quando a sigla se enraíza nas comunidades por meio da resolução de problemas locais, ela deixa de ser uma entidade distante e passa a ser reconhecida como um instrumento útil de transformação.

Ademais, a sustentabilidade de qualquer projeto político depende do engajamento fora dos ciclos de eleição. A formação cívica contínua é a ferramenta mais eficaz para qualificar a base e garantir a renovação dos quadros. Ao investir em escolas de líderes e estabelecer canais onde os filiados possam debater e influenciar ativamente os rumos e as prioridades do partido, a organização fortalece o sentimento de pertencimento. Uma base ouvida e capacitada não atua como mera massa de manobra de campanhas, mas como coautora do programa partidário.

Em suma, edificar a base de um partido político rumo ao sucesso é um processo diário de construção de comunidade. Trata-se de um esforço que transcende a matemática pragmática das urnas e adentra a esfera da representatividade genuína. Ao alinhar uma identidade coesa à força orgânica das lideranças locais e à educação política constante, um partido não apenas consolida sua viabilidade eleitoral, mas cumpre seu papel mais nobre: fortalecer a própria democracia ao dar voz, propósito e poder de ação aos cidadãos.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O Palco, o Palanque e a Autonomia Artística: O limite do "Showmício" em Espaços Pagos

Imagem Ilustrativa

    A linha que separa uma apresentação cultural de um ato político vem se tornando cada vez mais tênue nos palcos brasileiros, gerando debates acalorados sobre legislação eleitoral, liberdade de expressão e o respeito ao público pagante. Na noite de 27 de setembro, o palco do Sesc Vila Mariana foi cenário de uma homenagem ao compositor e músico João Donato e lançamento do álbum Viva Donato (Selo Sesc). O que se desenhava como uma noite de celebração da música brasileira terminou com um gesto que dividiu a plateia: ao final do show, artistas fizeram o "L" com as mãos e incentivaram o público a se manifestar politicamente. Marcos Valle, Mônica Salmaso, Joyce Moreno, Paula Morelenbaum, Donatinho e Patrícia Alvi ergueram as mãos com o sinal de "L" e estimularam a plateia a interagir num showmício declarado.




A fusão entre shows com cobrança de ingressos e manifestações político-partidárias tem levantado questionamentos éticos e legais. O público que adquire um ingresso é formado por cidadãos com diferentes visões de mundo. Ao transformar o palco em palanque, impõe-se um discurso político unilateral a quem pagou para consumir cultura, criando um ambiente onde parte da plateia pode sentir-se excluída.

A Reação Política: A Denúncia de Carlos Viana

Esse episódio não é um fato isolado e já chegou à esfera jurídica. O senador Carlos Viana tem atuado fortemente contra o que considera infrações à legislação eleitoral em eventos culturais. Recentemente, o parlamentar protocolou denúncias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra artistas como Ivete Sangalo, que realizou gesto semelhante em resposta ao público durante um show em Belo Horizonte.

Em vídeo publicado em suas redes sociais ( veja a manifestação do senador aqui), Viana argumenta que essas atitudes ferem a lei eleitoral, configurando a prática de "showmício" — eventos organizados com o intuito de promover candidaturas, o que é vedado pela legislação. Para o senador e seus apoiadores, a cobrança de ingressos não isenta o evento de se tornar uma plataforma irregular de campanha quando há incitação explícita por parte dos artistas.

A Posição do Sesc: Autonomia Artística e Pluralidade

Questionado pela nossa redação sobre a adequação do uso de sua infraestrutura para atos de proselitismo político e sobre o respeito à diversidade do público pagante, o Sesc São Paulo enviou um posicionamento oficial, distanciando a instituição da atitude dos músicos e defendendo a liberdade de expressão.

Em nota, a instituição declarou:

"O Sesc São Paulo é uma instituição apartidária e não manifesta apoio a partidos, candidaturas ou correntes político-partidárias.

A instituição pauta sua atuação pelo respeito à pluralidade de ideias, à liberdade de expressão e à diversidade de seus públicos, princípios que orientam sua atuação nos campos da cultura, educação, esporte, lazer e assistência. Informações sobre atuação, estrutura institucional e instrumentos de transparência e conduta estão apresentados publicamente em nosso portal sescsp.org.br.

No contexto de sua programação cultural, o Sesc reconhece e preserva a autonomia artística como princípios transversais ao respeito à pluralidade, à cidadania, ao diálogo e à convivência democrática. Eventuais manifestações de caráter pessoal realizadas por artistas durante suas apresentações são de responsabilidade de seus próprios autores e não representam posicionamento político ou institucional do Sesc São Paulo.

A diversidade de opiniões de seus públicos reafirma seu compromisso em manter seus espaços abertos à expressão artística, ao encontro e à convivência entre pessoas com diferentes perspectivas e visões de mundo."


O Debate que Fica


A resposta do Sesc evidencia a complexidade da questão: de um lado, a defesa irrestrita da autonomia artística, blindando a instituição das opiniões pessoais de seus contratados; de outro, a frustração de parte do público e a vigilância de parlamentares que enxergam uma violação da isonomia eleitoral disfarçada de performance.

O debate transcende a preferência partidária. A questão central que se impõe à sociedade, aos legisladores e aos gestores culturais é a definição de limites. Até que ponto a liberdade individual do artista sobrepõe-se à finalidade original de um espetáculo pago? Enquanto a Justiça Eleitoral e as instituições não delinearem contornos mais claros para essas situações, o palco continuará sendo, para o bem ou para o mal, uma extensão improvisada do palanque.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

O Fio da Navalha em Brasília: Espionagem, Paralisia Institucional e a Queda da Cúpula da Polícia Federal


Os corredores do poder em Brasília testemunharam o desdobramento de uma trama política de alta tensão, narrada em tempo real pelo senador Carlos Viana nas escadarias da Polícia Federal. O cenário desenhado pelo parlamentar é o de uma República fraturada, assolada por espionagem ilegal, chantagens institucionais e uma paralisia proposital do Legislativo. No centro do escândalo, um suposto esquema de monitoramento clandestino que teria como alvo o próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, operado pela cúpula do aparato de segurança do Estado.

Com um tom de gravidade, Viana traçou a anatomia do que classificou como a maior crise desde a redemocratização. De um lado, acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de asfixiar o Congresso Nacional. Segundo o senador, a recusa de Alcolumbre em convocar sessões e destravar os processos no Conselho de Ética funciona como um escudo pessoal. O silêncio forçado do Senado serviria para abafar denúncias explosivas envolvendo o lobista Daniel Vorcaro, o escândalo do Banco Master, supostos repasses de 155 milhões de reais e festas obscuras sediadas na residência oficial da presidência da Casa.

Do outro lado do tabuleiro, o conflito se estende à Suprema Corte. Viana apontou o dedo para o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de utilizar relatórios apócrifos sem origem rastreável para incriminar Mendonça no inquérito das fake news, agindo em um esforço para blindar o próprio poder e silenciar questionamentos. Diante do colapso das garantias legais, o senador anunciou que acionaria a Corregedoria, exigindo uma devassa interna no serviço de inteligência e pedindo abertamente a prisão preventiva de Andrei Rodrigues, o então diretor-geral da Polícia Federal.

O ápice desta narrativa ocorreu de forma cinematográfica diante das câmeras. Enquanto Viana discursava e clamava por intervenção, a notícia rompeu o protocolo: o próprio ministro André Mendonça havia acabado de assinar uma ordem determinando o afastamento imediato de Andrei Rodrigues e de todo o comando da inteligência da corporação. A reviravolta transformou a indignação do senador em celebração instantânea. Para Viana, a queda da cúpula policial provou que a pressão e a coragem institucional ainda podem desarmar o uso do Estado como máquina de chantagem. O episódio não apenas expôs as vísceras de um conflito entre os poderes, mas cravou um ultimato aos eleitores: as engrenagens da democracia estão sob fogo cruzado, e o resgate das instituições exigirá que a população cobre atitude imediata de seus representantes.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

7 de Setembro na Paulista: Crise no STF Domina Atos da Direita em São Paulo



    Neste 7 de setembro de 2026, a Avenida Paulista foi novamente o principal palco das manifestações políticas da direita, marcadas por um forte tom de insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os protestos ocorreram em meio a um acirramento da crise institucional envolvendo ministros da Corte.

    Múltiplos Focos na Capital Paulista

    Diferente de anos anteriores onde havia uma concentração única, a direita pulverizou suas manifestações na capital. A campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) convocou seus apoiadores para a Avenida Paulista às 15h, adotando as palavras de ordem "Fora Lula" e "Fora Moraes". O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também era esperado no evento.

    Mais cedo, o candidato à presidência Romeu Zema (Novo) programou uma caminhada na Paulista às 9h20. Em comunicado, Zema declarou que a manifestação pertencia aos "indignados com esses intocáveis lá de Brasília".

    Fora da Paulista, o candidato Renan Santos (Missão) reuniu-se com seus apoiadores no Obelisco do Ibirapuera, às 11h, também em protesto contra o STF. Durante seu discurso, Renan Santos pediu a saída dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, afirmando que o país precisa de uma "nova independência".

O Pano de Fundo: Tensão no STF


    As mobilizações deste ano ganharam combustível extra com as recentes tensões no STF. Na semana que antecedeu o feriado, o ministro André Mendonça divulgou um relatório expondo supostas mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    O documento indicava que Vorcaro teria consultado Moraes sobre os riscos de ser preso antes da expedição de seu mandado de prisão, em novembro de 2025. O vazamento dessas informações resultou em um pedido de investigação de Moraes contra Mendonça por crime de responsabilidade e abuso de autoridade. Nos atos de hoje, André Mendonça foi frequentemente tratado como herói pelos manifestantes, chegando a ser representado por um boneco inflável.

Incidentes Isolados

    Apesar do clima geral, houve registro de confusão nos arredores da Avenida Paulista. Antes do início dos atos principais da direita, a Polícia Militar utilizou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar um grupo. Relatos da PM indicaram que se tratava de um grupo de esquerda que tentava acessar a via.

    Enquanto São Paulo concentrava as principais atenções, atos semelhantes miraram Moraes e Lula em pelo menos outras sete capitais brasileiras, incluindo Brasília e Belo Horizonte, consolidando o 7 de setembro, mais uma vez, como uma vitrine política significativa no ano eleitoral.


Cenas da contenção militar a manifestantes que tentavam invadir espaço da manifestação 
da Direita na Paulista

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Jornalista Sérgio Osicran assume Vice-Presidência do Democrata 35 em São Paulo

Sérgio Osicran é cohecido popularmente como " o Jornalista do Povo"
Foto: Denis Consultor


Cerimônia de apresentação da nova Diretoria Estadual do partido foi realizada na Câmara Municipal de São Paulo


    O jornalista e articulador político Sérgio Osicran assumiu a Vice-Presidência do Democrata 35 em São Paulo durante cerimônia de apresentação da nova Diretoria Estadual da legenda, realizada na sexta-feira, 7 de agosto de 2026, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo.

    A realização do evento consta da agenda oficial da Câmara Municipal, que registrou a cerimônia entre as atividades realizadas na Casa naquele dia, no período das 18h às 22h.

    A posse marca uma nova etapa na trajetória de Osicran, que possui longa atuação na área de comunicação, articulação política e representação institucional. O jornalista é um dos fundadores da ACAAPESP – Associação dos Consultores, Assessores e Articuladores Políticos do Estado de São Paulo, entidade criada com o objetivo de valorizar e fortalecer a atuação dos profissionais que trabalham diretamente na articulação política.

    Segundo informações divulgadas pela própria ACAAPESP, Osicran participou da criação da entidade ao lado de Alan Montoro e Camila Gonsalez, defendendo a valorização dos consultores, assessores e articuladores políticos.

    Experiência na articulação política


    A atuação de Sérgio Osicran no ambiente político paulista não é recente e soma 38 anos de experiência. Em diferentes momentos, o jornalista participou de eventos, homenagens, encontros institucionais e iniciativas voltadas à aproximação entre representantes públicos, entidades e sociedade civil.

  Em 2023, por exemplo, a Assembleia Legislativa de São Paulo registrou sua participação nas comemorações do aniversário da ACAAPESP. Na ocasião, Osicran destacou a importância do trabalho dos assessores políticos na construção da relação entre parlamentares e população.

    A experiência também inclui a organização de eventos que reúnem lideranças políticas, empresariais e representantes de diferentes setores da sociedade. Entre eles está a FECACESP, tradicional encontro promovido em São Paulo, cuja organização tem sido associada à trajetória de Osicran.

    Mais recentemente, em junho de 2025, a ACAAPESP destacou Osicran como jornalista e fundador da entidade durante a inauguração de uma nova sede na Avenida Paulista e o anúncio de uma parceria voltada à formação política e à qualificação profissional.

    Democrata 35 amplia sua presença em São Paulo


    A cerimônia ocorre em um momento de reorganização e expansão do Democrata 35, legenda registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 35. O partido utiliza atualmente a denominação Democrata e mantém estrutura partidária nacional.

    A apresentação da Diretoria Estadual de São Paulo na Câmara Municipal representa, portanto, um movimento de estruturação da legenda no maior colégio eleitoral do país e coloca novas lideranças na linha de frente da organização partidária no Estado.

    A escolha de Sérgio Osicran para a Vice-Presidência acrescenta à estrutura estadual um nome com experiência na comunicação, na organização de eventos e na articulação entre diferentes segmentos da sociedade.

    Um novo desafio


    Ao assumir a Vice-Presidência estadual, Osicran passa a desempenhar um papel estratégico na organização do partido em São Paulo, especialmente na construção de diálogo com lideranças municipais, representantes da sociedade civil e potenciais novos integrantes da legenda.

    Para um jornalista com trajetória marcada pela comunicação e pela articulação política, o novo cargo também representa a ampliação de uma atuação que há anos transita entre imprensa, entidades representativas e o ambiente político.

    A cerimônia de 7 de agosto, realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, simboliza assim não apenas a apresentação formal da nova direção estadual, mas o início de uma nova fase para o Democrata 35 em São Paulo — com Sérgio Osicran ocupando uma posição de destaque nessa estrutura. 


sexta-feira, 17 de julho de 2026

Trump divulga documentos sobre suposta interferência da China e da Venezuela nas eleições dos EUA - revelações provocam intenso debate



Washington (EUA) – O presidente Donald Trump divulgou um amplo conjunto de documentos desclassificados relacionados à segurança eleitoral norte-americana. O material reúne cerca de 270 páginas de relatórios da comunidade de inteligência, avaliações da CIA, FBI, Departamento de Segurança Interna (DHS), Agência de Segurança Cibernética (CISA), memorandos internos e comunicações entre autoridades federais.

Segundo a Casa Branca, os documentos demonstram que informações relevantes sobre ameaças estrangeiras foram ocultadas do próprio presidente durante seu primeiro mandato e da população americana. A divulgação integra a campanha da administração Trump pela aprovação de novas medidas de segurança eleitoral.

Principais revelações apresentadas pela Casa Branca


Entre os principais pontos destacados pelo governo estão:
China teria obtido dados de cerca de 220 milhões de eleitores americanos

Os documentos afirmam que agentes ligados ao governo chinês obtiveram enormes bases de dados contendo nomes, endereços, telefones, filiação partidária e outras informações de aproximadamente 220 milhões de eleitores dos Estados Unidos.

Segundo a Casa Branca, parte desses dados teria sido coletada em pelo menos 18 estados americanos durante o ciclo eleitoral de 2020.

O governo sustenta que a dimensão dessa coleta nunca havia sido plenamente divulgada e representa a maior violação conhecida de informações eleitorais da história dos Estados Unidos.

Entretanto, especialistas em segurança digital observam que grande parte desses cadastros eleitorais é pública ou pode ser adquirida legalmente para campanhas políticas, pesquisadores e partidos. Até o momento, os documentos não demonstram que essas informações tenham sido utilizadas para alterar votos ou modificar resultados eleitorais.

Vulnerabilidades nas máquinas e na infraestrutura eleitoral


Os relatórios divulgados incluem avaliações técnicas da CISA mostrando que sistemas eleitorais apresentam vulnerabilidades cibernéticas conhecidas.

Os documentos afirmam que adversários estrangeiros — incluindo China, Rússia, Irã e Coreia do Norte — possuem capacidade técnica para tentar comprometer componentes da infraestrutura eleitoral americana, como:
  • bancos de dados de eleitores;
  • sites oficiais;
  • sistemas administrativos;
  • equipamentos utilizados pelas autoridades eleitorais.

Os relatórios também destacam testes realizados pela própria CISA demonstrando que redes de alguns escritórios eleitorais poderiam ser invadidas caso não adotassem medidas adequadas de segurança.

Contudo, os próprios documentos ressaltam que manipular votos em larga escala continuaria sendo extremamente difícil sem ser detectado, principalmente devido às auditorias, registros em papel e controles existentes.

Venezuela


Outro destaque foi um relatório da CIA referente ao regime de Nicolás Maduro.

Segundo Trump, os documentos revelam que a inteligência americana identificou um plano utilizado pelo governo venezuelano para alterar eletronicamente resultados eleitorais em eleições realizadas naquele país.

A avaliação descreve métodos capazes de modificar digitalmente totais de votos de forma difícil de detectar durante auditorias.

A Casa Branca argumenta que esse material demonstra que ataques semelhantes poderiam ser empregados contra outros sistemas eletrônicos de votação.

No entanto, os documentos não apresentam evidências de que tais métodos tenham sido utilizados nas eleições americanas nem que tenham alterado qualquer votação nos Estados Unidos.
Alegação de ocultação por órgãos de inteligência

Uma das acusações mais graves feitas por Trump é que integrantes da comunidade de inteligência teriam deliberadamente omitido informações importantes.

Segundo documentos divulgados pela Casa Branca:

  • alguns analistas teriam reduzido ou retirado informações dos relatórios presidenciais;
  • determinadas avaliações sobre ameaças chinesas não teriam sido encaminhadas ao presidente;
  • comunicações internas indicariam preocupação de autoridades com os impactos políticos dessas informações.

A administração Trump afirma que esses fatos demonstrariam atuação de um chamado "Deep State" (Estado Profundo) para impedir que determinadas informações chegassem ao presidente.

Essa interpretação, entretanto, ainda não foi confirmada por investigações independentes.

Registros de eleitores não cidadãos


Outro documento divulgado pelo DHS cita a existência de aproximadamente 278 mil registros eleitorais potencialmente pertencentes a pessoas sem cidadania americana em quatro estados.

Trump utilizou esse dado para defender mudanças na legislação eleitoral.

Especialistas, porém, observam que o próprio documento reconhece limitações metodológicas e não demonstra que essas pessoas tenham efetivamente votado.

Caso Michigan


Também foi divulgado um relatório sobre suspeitas envolvendo formulários de registro eleitoral no estado de Michigan.

A investigação encontrou formulários preenchidos de maneira irregular por contratados de uma organização de coleta de registros.

O caso foi investigado pelo FBI, mas acabou encerrado sem comprovação de fraude eleitoral capaz de alterar qualquer resultado.

O que os documentos não demonstram


Apesar das revelações sobre espionagem, vulnerabilidades cibernéticas e preocupações da comunidade de inteligência, os próprios documentos divulgados não concluem que:
  • votos tenham sido alterados;
  • urnas americanas tenham sido manipuladas;
  • a eleição presidencial de 2020 tenha sido fraudada;
  • China ou Venezuela tenham conseguido modificar o resultado da disputa presidencial.

Diversos relatórios incluídos no próprio pacote de documentos afirmam que uma manipulação em larga escala dos sistemas de votação seria extremamente difícil de executar sem ser detectada.
Reações

A divulgação provocou forte repercussão política.


Aliados de Trump afirmam que o material comprova a necessidade de aprovar reformas eleitorais mais rígidas, incluindo identificação obrigatória dos eleitores, comprovação de cidadania e fortalecimento da segurança cibernética.

Já especialistas em segurança eleitoral, ex-integrantes da comunidade de inteligência e veículos de imprensa afirmam que os documentos revelam ameaças reais à infraestrutura eleitoral e operações de espionagem estrangeira, mas não comprovam fraude eleitoral generalizada nem alteração do resultado da eleição presidencial de 2020.

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

URGENTE: Ministra do Supremo Tribunal Militar indicada por Lula sob suspeita

Dos tribunais ao centro da investigação: como o pagamento de R$ 700 mil ao escritório da ministra Verônica Sterman levou a CPMI do INSS a investigar a empresa responsável pela transferência



  | Por: Claudia Souza | 

Relatório do COAF, investigações da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e da CPMI do INSS colocaram a empresa ACX ITC no centro de uma das mais complexas apurações financeiras em andamento no país. Enquanto a atual ministra do Superior Tribunal Militar afirma que recebeu os valores por serviços advocatícios prestados antes de assumir o cargo, o proprietário formal da empresa declarou à polícia que era apenas um "laranja", recrutado em um campo de futebol para emprestar seu nome à companhia.

    A descoberta de uma transferência de R$ 700 mil da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S.A. para o escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman, ampliou significativamente o alcance das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Inicialmente concentrada em supostas fraudes contra aposentados e pensionistas, a comissão passou a examinar uma complexa rede de empresas apontadas por órgãos de investigação como possíveis instrumentos de ocultação patrimonial e movimentação financeira.

    Segundo reportagem publicada pela jornalista Andreza Matais, no Metrópoles, em 26 de janeiro de 2026, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou o pagamento realizado pela ACX ITC ao escritório da então advogada Verônica Sterman no final de 2024, meses antes de sua nomeação ao STM. O relatório registra que a operação ocorreu em parcela única e integra um conjunto de movimentações consideradas relevantes para análise financeira.

    A ministra tomou posse no Superior Tribunal Militar apenas em setembro de 2025, após ser indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovada pelo Senado Federal. Esse aspecto cronológico é considerado importante porque o pagamento ocorreu quando ela ainda exercia exclusivamente a advocacia privada.

    Desde que a informação se tornou pública, surgiram questionamentos nas redes sociais sobre as razões que levaram Lula a escolhê-la para integrar a Corte Militar. Até o momento, contudo, não existe qualquer evidência pública de vínculo familiar entre Verônica Sterman e o presidente da República ou integrantes de sua família.



    O que está documentado é sua trajetória profissional. Conforme informou o UOL Notícias, em reportagem publicada em 8 de março de 2025, Verônica Sterman construiu carreira na advocacia criminal e atuou na defesa de diversas figuras públicas. Entre seus clientes estiveram a então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Paulo Bernardo, em processos relacionados à Operação Lava Jato. Também atuou em causas envolvendo o atual vice-presidente Geraldo Alckmin.

    Reportagem publicada pelo Estadão e reproduzida pelo UOL, em 9 de março de 2025, revelou que sua indicação era apoiada nos bastidores do governo pela então ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e pela primeira-dama Rosângela da Silva (Janja). A Constituição Federal estabelece que as vagas destinadas à advocacia no STM são de livre escolha do Presidente da República, desde que o indicado possua notável saber jurídico, reputação ilibada e seja aprovado pela maioria absoluta do Senado.

    Embora a indicação tenha seguido o rito constitucional, o nome da ministra voltou ao centro do debate após o avanço das investigações envolvendo a ACX ITC.

    Inicialmente, o foco recaía apenas sobre a origem dos R$ 700 mil. Entretanto, uma nova reportagem publicada por Andreza Matais, no Metrópoles, em 3 de julho de 2026, alterou significativamente o cenário ao revelar o depoimento prestado pelo proprietário formal da empresa à Polícia Civil de São Paulo.

   Segundo a reportagem, Ericsson de Azevedo, registrado oficialmente como dono da ACX ITC, declarou aos investigadores que nunca administrou a empresa e que apenas emprestou seu nome para a abertura do CNPJ. Em seu depoimento, afirmou ter sido abordado em um campo de futebol na zona norte de São Paulo, onde recebeu uma proposta para ceder seus documentos em troca de R$ 5 mil.

    De acordo com seu relato, atravessava dificuldades financeiras e aceitou a oferta sem imaginar a dimensão que a empresa alcançaria posteriormente.

    Ericsson afirmou ainda que jamais participou da administração da companhia. Segundo declarou à Polícia Civil, era chamado ocasionalmente apenas para assinar documentos e recebia cerca de R$ 1 mil em dinheiro por cada assinatura, sem conhecer o conteúdo dos papéis nem os verdadeiros controladores da empresa.

    A declaração chamou a atenção dos investigadores por causa do contraste entre o perfil econômico do depoente e o porte da empresa registrada em seu nome. Ainda segundo a reportagem do Metrópoles, Ericsson afirmou sobreviver confeccionando pipas, rabiolas e vendendo rifas, com renda aproximada de R$ 1 mil por mês.

    Ao mesmo tempo, a ACX ITC possuía capital social superior a R$ 101 milhões e, conforme investigações da Polícia Civil reproduzidas pela imprensa, movimentou aproximadamente R$ 918 milhões em operações financeiras analisadas na chamada Operação Saturno.

    A Polícia Civil sustenta que existem fortes indícios de utilização da empresa para operações de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Paralelamente, a Polícia Federal e a CPMI do INSS investigam se a ACX ITC integrava uma estrutura empresarial ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como "Careca do INSS".

    Segundo documentos analisados pela CPMI e reportagens publicadas pelo Metrópoles, a empresa recebeu recursos provenientes da Arpar Participações e Empreendimentos, apontada pelos investigadores como uma das companhias utilizadas para redistribuição de valores entre diversas pessoas jurídicas.

    A suspeita das autoridades é que empresas desse tipo funcionassem como mecanismos destinados a dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.

    Foi justamente nesse contexto que surgiu o pagamento de R$ 700 mil ao escritório da então advogada Verônica Sterman.

    A ministra afirma que o valor correspondeu ao pagamento por três pareceres jurídicos especializados na área criminal, regularmente contratados pela ACX ITC antes de sua indicação ao Superior Tribunal Militar. Em nota divulgada à imprensa, afirmou que todos os serviços foram efetivamente prestados, que desconhecia qualquer ligação da empresa com Antônio Carlos Camilo Antunes e que jamais manteve relação pessoal ou profissional com o empresário além da prestação dos serviços jurídicos contratados.

    Até o momento, não existe acusação formal contra a ministra relacionada ao recebimento desses honorários.

    Esse aspecto é considerado fundamental por especialistas em direito financeiro. A eventual existência de irregularidades envolvendo uma empresa contratante não implica automaticamente responsabilidade do advogado que lhe prestou serviços. Para que haja responsabilização criminal, seria necessário demonstrar conhecimento, participação ou colaboração consciente com eventual esquema ilícito.

    Outro ponto frequentemente confundido no debate público diz respeito ao próprio papel do COAF.

   O Relatório de Inteligência Financeira produzido pelo órgão não representa prova de crime nem implica conclusão de ilegalidade. Os RIFs têm natureza informativa e servem para alertar autoridades sobre movimentações financeiras consideradas atípicas, permitindo que Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos aprofundem as investigações.

    No caso da ACX ITC, contudo, o relatório ganhou relevância porque passou a integrar um conjunto muito maior de elementos produzidos pela Polícia Federal, pela Polícia Civil de São Paulo e pela CPMI do INSS.

    As investigações também identificaram pagamentos realizados pela mesma empresa ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Nefi Cordeiro, que igualmente declarou tratar-se de honorários advocatícios regularmente contratados após sua aposentadoria da magistratura.

    O avanço das investigações deslocou o foco do simples pagamento de R$ 700 mil para uma questão muito mais ampla: quem realmente controlava a ACX ITC?

    Caso o depoimento de Ericsson de Azevedo seja confirmado por provas documentais, a hipótese de utilização de um sócio de fachada poderá reforçar as suspeitas sobre a constituição da empresa e sobre o funcionamento da estrutura empresarial investigada.

    Esse esclarecimento tornou-se um dos principais objetivos da CPMI do INSS, que busca reconstruir a cadeia financeira envolvendo empresas, operadores e beneficiários finais dos recursos movimentados.

   Mais do que investigar uma única transferência bancária, parlamentares, policiais e órgãos de controle procuram compreender se existia uma arquitetura empresarial destinada à circulação de grandes volumes de dinheiro por meio de companhias formalmente independentes, mas eventualmente controladas pelos mesmos grupos econômicos.

    Enquanto essa apuração prossegue, permanece válida uma premissa essencial do Estado Democrático de Direito: investigações, relatórios de inteligência financeira e depoimentos constituem elementos de apuração, não sentenças condenatórias. Caberá às autoridades competentes avaliar contratos, documentos bancários, provas periciais e depoimentos para concluir se os pagamentos identificados decorreram exclusivamente de relações profissionais legítimas ou se integravam uma estrutura financeira ilícita.


Fontes consultadas

  • Metrópoles – Coluna de Andreza Matais – Empresa usada por "Careca do INSS" pagou R$ 700 mil à ministra do STM (26 de janeiro de 2026).
  • Metrópoles – Coluna de Andreza Matais – Dono de firma que pagou R$ 700 mil à ministra do STM diz ser "laranja" (3 de julho de 2026).
  • UOL Notícias – Lula indica advogada Verônica Abdalla Sterman para o STM (8 de março de 2025).
  • Estadão/UOL – Indicação de Verônica Sterman teve apoio de Gleisi Hoffmann e Janja (9 de março de 2025).
  • Polícia Civil do Estado de São Paulo – informações da Operação Saturno, reproduzidas pela imprensa.
  • Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) – Relatório de Inteligência Financeira (RIF), conforme reportagens citadas.
  • Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS – documentos e informações reproduzidos pela imprensa sobre a investigação em andamento.

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A Construção Partidária como Pilar da Democracia Representativa

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