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sexta-feira, 3 de julho de 2026

URGENTE: Ministra do Supremo Tribunal Militar indicada por Lula sob suspeita

Dos tribunais ao centro da investigação: como o pagamento de R$ 700 mil ao escritório da ministra Verônica Sterman levou a CPMI do INSS a investigar a empresa responsável pela transferência



  | Por: Claudia Souza | 

Relatório do COAF, investigações da Polícia Federal, da Polícia Civil de São Paulo e da CPMI do INSS colocaram a empresa ACX ITC no centro de uma das mais complexas apurações financeiras em andamento no país. Enquanto a atual ministra do Superior Tribunal Militar afirma que recebeu os valores por serviços advocatícios prestados antes de assumir o cargo, o proprietário formal da empresa declarou à polícia que era apenas um "laranja", recrutado em um campo de futebol para emprestar seu nome à companhia.

    A descoberta de uma transferência de R$ 700 mil da empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S.A. para o escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman, ampliou significativamente o alcance das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Inicialmente concentrada em supostas fraudes contra aposentados e pensionistas, a comissão passou a examinar uma complexa rede de empresas apontadas por órgãos de investigação como possíveis instrumentos de ocultação patrimonial e movimentação financeira.

    Segundo reportagem publicada pela jornalista Andreza Matais, no Metrópoles, em 26 de janeiro de 2026, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou o pagamento realizado pela ACX ITC ao escritório da então advogada Verônica Sterman no final de 2024, meses antes de sua nomeação ao STM. O relatório registra que a operação ocorreu em parcela única e integra um conjunto de movimentações consideradas relevantes para análise financeira.

    A ministra tomou posse no Superior Tribunal Militar apenas em setembro de 2025, após ser indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovada pelo Senado Federal. Esse aspecto cronológico é considerado importante porque o pagamento ocorreu quando ela ainda exercia exclusivamente a advocacia privada.

    Desde que a informação se tornou pública, surgiram questionamentos nas redes sociais sobre as razões que levaram Lula a escolhê-la para integrar a Corte Militar. Até o momento, contudo, não existe qualquer evidência pública de vínculo familiar entre Verônica Sterman e o presidente da República ou integrantes de sua família.



    O que está documentado é sua trajetória profissional. Conforme informou o UOL Notícias, em reportagem publicada em 8 de março de 2025, Verônica Sterman construiu carreira na advocacia criminal e atuou na defesa de diversas figuras públicas. Entre seus clientes estiveram a então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Paulo Bernardo, em processos relacionados à Operação Lava Jato. Também atuou em causas envolvendo o atual vice-presidente Geraldo Alckmin.

    Reportagem publicada pelo Estadão e reproduzida pelo UOL, em 9 de março de 2025, revelou que sua indicação era apoiada nos bastidores do governo pela então ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e pela primeira-dama Rosângela da Silva (Janja). A Constituição Federal estabelece que as vagas destinadas à advocacia no STM são de livre escolha do Presidente da República, desde que o indicado possua notável saber jurídico, reputação ilibada e seja aprovado pela maioria absoluta do Senado.

    Embora a indicação tenha seguido o rito constitucional, o nome da ministra voltou ao centro do debate após o avanço das investigações envolvendo a ACX ITC.

    Inicialmente, o foco recaía apenas sobre a origem dos R$ 700 mil. Entretanto, uma nova reportagem publicada por Andreza Matais, no Metrópoles, em 3 de julho de 2026, alterou significativamente o cenário ao revelar o depoimento prestado pelo proprietário formal da empresa à Polícia Civil de São Paulo.

   Segundo a reportagem, Ericsson de Azevedo, registrado oficialmente como dono da ACX ITC, declarou aos investigadores que nunca administrou a empresa e que apenas emprestou seu nome para a abertura do CNPJ. Em seu depoimento, afirmou ter sido abordado em um campo de futebol na zona norte de São Paulo, onde recebeu uma proposta para ceder seus documentos em troca de R$ 5 mil.

    De acordo com seu relato, atravessava dificuldades financeiras e aceitou a oferta sem imaginar a dimensão que a empresa alcançaria posteriormente.

    Ericsson afirmou ainda que jamais participou da administração da companhia. Segundo declarou à Polícia Civil, era chamado ocasionalmente apenas para assinar documentos e recebia cerca de R$ 1 mil em dinheiro por cada assinatura, sem conhecer o conteúdo dos papéis nem os verdadeiros controladores da empresa.

    A declaração chamou a atenção dos investigadores por causa do contraste entre o perfil econômico do depoente e o porte da empresa registrada em seu nome. Ainda segundo a reportagem do Metrópoles, Ericsson afirmou sobreviver confeccionando pipas, rabiolas e vendendo rifas, com renda aproximada de R$ 1 mil por mês.

    Ao mesmo tempo, a ACX ITC possuía capital social superior a R$ 101 milhões e, conforme investigações da Polícia Civil reproduzidas pela imprensa, movimentou aproximadamente R$ 918 milhões em operações financeiras analisadas na chamada Operação Saturno.

    A Polícia Civil sustenta que existem fortes indícios de utilização da empresa para operações de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Paralelamente, a Polícia Federal e a CPMI do INSS investigam se a ACX ITC integrava uma estrutura empresarial ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como "Careca do INSS".

    Segundo documentos analisados pela CPMI e reportagens publicadas pelo Metrópoles, a empresa recebeu recursos provenientes da Arpar Participações e Empreendimentos, apontada pelos investigadores como uma das companhias utilizadas para redistribuição de valores entre diversas pessoas jurídicas.

    A suspeita das autoridades é que empresas desse tipo funcionassem como mecanismos destinados a dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários dos recursos.

    Foi justamente nesse contexto que surgiu o pagamento de R$ 700 mil ao escritório da então advogada Verônica Sterman.

    A ministra afirma que o valor correspondeu ao pagamento por três pareceres jurídicos especializados na área criminal, regularmente contratados pela ACX ITC antes de sua indicação ao Superior Tribunal Militar. Em nota divulgada à imprensa, afirmou que todos os serviços foram efetivamente prestados, que desconhecia qualquer ligação da empresa com Antônio Carlos Camilo Antunes e que jamais manteve relação pessoal ou profissional com o empresário além da prestação dos serviços jurídicos contratados.

    Até o momento, não existe acusação formal contra a ministra relacionada ao recebimento desses honorários.

    Esse aspecto é considerado fundamental por especialistas em direito financeiro. A eventual existência de irregularidades envolvendo uma empresa contratante não implica automaticamente responsabilidade do advogado que lhe prestou serviços. Para que haja responsabilização criminal, seria necessário demonstrar conhecimento, participação ou colaboração consciente com eventual esquema ilícito.

    Outro ponto frequentemente confundido no debate público diz respeito ao próprio papel do COAF.

   O Relatório de Inteligência Financeira produzido pelo órgão não representa prova de crime nem implica conclusão de ilegalidade. Os RIFs têm natureza informativa e servem para alertar autoridades sobre movimentações financeiras consideradas atípicas, permitindo que Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos aprofundem as investigações.

    No caso da ACX ITC, contudo, o relatório ganhou relevância porque passou a integrar um conjunto muito maior de elementos produzidos pela Polícia Federal, pela Polícia Civil de São Paulo e pela CPMI do INSS.

    As investigações também identificaram pagamentos realizados pela mesma empresa ao escritório do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Nefi Cordeiro, que igualmente declarou tratar-se de honorários advocatícios regularmente contratados após sua aposentadoria da magistratura.

    O avanço das investigações deslocou o foco do simples pagamento de R$ 700 mil para uma questão muito mais ampla: quem realmente controlava a ACX ITC?

    Caso o depoimento de Ericsson de Azevedo seja confirmado por provas documentais, a hipótese de utilização de um sócio de fachada poderá reforçar as suspeitas sobre a constituição da empresa e sobre o funcionamento da estrutura empresarial investigada.

    Esse esclarecimento tornou-se um dos principais objetivos da CPMI do INSS, que busca reconstruir a cadeia financeira envolvendo empresas, operadores e beneficiários finais dos recursos movimentados.

   Mais do que investigar uma única transferência bancária, parlamentares, policiais e órgãos de controle procuram compreender se existia uma arquitetura empresarial destinada à circulação de grandes volumes de dinheiro por meio de companhias formalmente independentes, mas eventualmente controladas pelos mesmos grupos econômicos.

    Enquanto essa apuração prossegue, permanece válida uma premissa essencial do Estado Democrático de Direito: investigações, relatórios de inteligência financeira e depoimentos constituem elementos de apuração, não sentenças condenatórias. Caberá às autoridades competentes avaliar contratos, documentos bancários, provas periciais e depoimentos para concluir se os pagamentos identificados decorreram exclusivamente de relações profissionais legítimas ou se integravam uma estrutura financeira ilícita.


Fontes consultadas

  • Metrópoles – Coluna de Andreza Matais – Empresa usada por "Careca do INSS" pagou R$ 700 mil à ministra do STM (26 de janeiro de 2026).
  • Metrópoles – Coluna de Andreza Matais – Dono de firma que pagou R$ 700 mil à ministra do STM diz ser "laranja" (3 de julho de 2026).
  • UOL Notícias – Lula indica advogada Verônica Abdalla Sterman para o STM (8 de março de 2025).
  • Estadão/UOL – Indicação de Verônica Sterman teve apoio de Gleisi Hoffmann e Janja (9 de março de 2025).
  • Polícia Civil do Estado de São Paulo – informações da Operação Saturno, reproduzidas pela imprensa.
  • Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) – Relatório de Inteligência Financeira (RIF), conforme reportagens citadas.
  • Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS – documentos e informações reproduzidos pela imprensa sobre a investigação em andamento.

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

MICHELLE BOLSONARO E A CRISE QUE DIVIDIU O PL: FATOS, BASTIDORES E PERGUNTAS

 


Por: Claudia Souza | Análise

   

     O afastamento que mudou o cenário político causa estranheza e conjecturas estranhas


    A decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher produziu um dos episódios mais relevantes da reorganização da direita brasileira nos últimos meses. Mais do que uma mudança administrativa dentro do partido, o gesto foi interpretado como um sinal de desgaste político em um grupo que, até então, buscava demonstrar unidade diante dos desafios eleitorais e jurídicos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A repercussão foi ampliada pelas declarações públicas da própria Michelle, que afirmou ter sido desrespeitada e desvalorizada em discussões internas, especialmente em sua relação com o senador Flávio Bolsonaro. Essas manifestações passaram a alimentar debates sobre o futuro da liderança conservadora e sobre os reflexos do episódio na estratégia eleitoral do grupo. 

    Alguns acontecimentos são objetivos e verificáveis.


    Michelle Bolsonaro realizou reuniões públicas com ministros do Supremo Tribunal Federal em momentos distintos, quando buscava discutir temas relacionados à situação jurídica de Jair Bolsonaro.

      Em março/2026 a Folha de São Paulo e o Poder 360 publicaram a reunião de Michelle Bolsonaro com o Ministro Alexandre de Moraes. 
  • Folha de S. Paulo: A reportagem informou que Michelle foi ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes para reforçar o pedido de prisão domiciliar humanitária para Jair Bolsonaro. Também destacou que ela pretendia explicar pessoalmente o quadro de saúde do ex-presidente.
  • Poder 360: O veículo ressaltou que o encontro ocorreu poucas horas após manifestação da Procuradoria-Geral da República favorável à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, destacando a coincidência temporal entre os acontecimentos.
    Às vésperas da renovação da decisão se o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria sair da prisão domiciliar, ela denunciou publicamente que Flávio Bolsonaro teria a desrespeitado, criando um imbróglio, consciente de que a ação prejudicaria o então candidato à presidência na corrida eleitoral.  Além disso, Michelle tornou públicas críticas à forma como vinha sendo tratada em decisões internas, afirmando que se sentiu desrespeitada e sem espaço para participar das discussões estratégicas.
Logo após, anunciou seu afastamento da presidência do PL Mulher e reduziu sua participação em atividades políticas ligadas ao partido.   

    Esses acontecimentos, por si só, já representam mudanças importantes no ambiente político da direita. A coincidência temporal gerou questionamentos. Em política, a sucessão de acontecimentos costuma provocar interpretações.

       O fato de reuniões institucionais, tensões internas e mudanças na estrutura partidária terem ocorrido em um intervalo relativamente próximo levou parte do debate público a levantar questionamentos sobre eventual relação entre esses episódios. Esses questionamentos aparecem principalmente nas redes sociais, em programas de opinião e entre apoiadores do ex-presidente.

     Entretanto, é importante distinguir uma sequência cronológica de uma relação de causa e efeito.

    Até o momento, não foram apresentados documentos, gravações, mensagens, depoimentos ou qualquer outro elemento que demonstre que a saída de Michelle Bolsonaro do PL Mulher tenha sido resultado de uma negociação envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal ou a situação jurídica de Jair Bolsonaro.

       Existe alguma evidência de "moeda de troca"?


   Essa é a principal pergunta levantada por parte dos comentaristas políticos. Pode ser que sim e pode ser que não! Em manobra política tudo é possível. O tabuleiro do xadrez nem sempre fica exposto, porém, não há evidência conhecida de que autoridades do STF, integrantes do governo ou representantes de grupos políticos tenham condicionado decisões judiciais ao afastamento de Michelle Bolsonaro de funções partidárias.

    Uma hipótese dessa natureza seria extremamente grave, pois implicaria possível interferência política sobre decisões judiciais. Justamente por sua gravidade, ela exigiria provas robustas para ser tratada como fato e até o momento, essas provas não vieram a público.

    O fato é que pelas informações divulgadas à época, Michelle Bolsonaro não substituiu os advogados de Jair Bolsonaro, nem participou da reunião como representante jurídica dele. A defesa já havia protocolado formalmente os pedidos de prisão domiciliar e apresentado laudos médicos ao STF.

    A reunião de Michelle teve, segundo as reportagens, um objetivo diferente: fazer um apelo pessoal e humanitário ao ministro relator. Ela pretendia relatar diretamente o estado de saúde do ex-presidente, explicar que ele não poderia permanecer sozinho por risco de broncoaspiração e reforçar a necessidade de cuidados contínuos.

    Por que um ministro do STF receberia a esposa do condenado, se já havia uma defesa técnica constituída?

    A versão divulgada publicamente: Michelle compareceu como esposa e principal cuidadora, para transmitir informações pessoais e reforçar o aspecto humanitário do pedido. Essa foi a justificativa apresentada nas reportagens.
 
    Uma estratégia política e de comunicação: É comum que familiares de figuras públicas atuem para sensibilizar a opinião pública e, eventualmente, autoridades, sem exercer função jurídica. Um relato pessoal pode ter um peso diferente do de uma petição assinada por advogados.
 
    Uma articulação paralela à atuação da defesa: A cobertura da imprensa indicou que havia um esforço coordenado envolvendo aliados políticos, parlamentares e governadores para defender a concessão da prisão domiciliar, enquanto os advogados seguiam atuando na esfera processual.

    O que dizem as diferentes interpretações?


    Analistas políticos têm apresentado leituras distintas para o episódio.

    Uma corrente sustenta que o afastamento decorre de divergências internas na família Bolsonaro e de disputas sobre o comando político da direita. Outra, interpreta o movimento como parte de um reposicionamento estratégico de Michelle Bolsonaro, preservando sua imagem para futuras disputas eleitorais.

    Há ainda quem considere que o episódio revela diferenças de visão sobre a condução do partido e sobre a forma de relacionamento entre seus principais líderes. 

   Também existem comentaristas que levantam hipóteses de articulações políticas mais amplas envolvendo instituições da República. No entanto, essas interpretações permanecem no campo da especulação enquanto não forem acompanhadas de evidências verificáveis.

    Independentemente da posição ideológica de cada cidadão, episódios que envolvem encontros entre lideranças políticas e autoridades públicas costumam despertar interesse da sociedade.

    Em democracias consolidadas, a transparência institucional é um elemento essencial para preservar a confiança pública e quando reuniões ocorrem entre representantes políticos e integrantes de outros Poderes, é natural que haja questionamentos sobre seus objetivos, seus resultados e seus limites institucionais.

    Da mesma forma, é igualmente importante que interpretações sobre esses encontros sejam baseadas em fatos verificáveis, evitando que conjecturas sejam apresentadas como conclusões.

    Mesmo sem qualquer comprovação de interferência institucional, o episódio produziu efeitos políticos concretos. Michelle Bolsonaro consolidou uma imagem própria junto a parcelas do eleitorado conservador, especialmente entre mulheres e evangélicos e seu afastamento do PL Mulher também evidenciou que a direita enfrenta desafios internos justamente em um momento em que busca reorganizar sua estratégia eleitoral.

    As declarações públicas envolvendo Flávio Bolsonaro acrescentaram um componente pessoal que rapidamente adquiriu dimensão política, alimentando debates sobre liderança, sucessão e unidade do grupo.

    Quando o silêncio termina, a política começa



    Na política, existem gestos que falam mais alto do que discursos. A decisão de Michelle Bolsonaro de tornar público um conflito familiar envolvendo o senador Flávio Bolsonaro foi um desses momentos. Não apenas pela repercussão imediata, mas porque rompeu um padrão de comportamento que a própria ex-primeira-dama cultivou durante anos: o da discrição em relação às questões internas da família.

    Michelle sempre construiu sua imagem pública sobre pilares bem definidos — fé, família, lealdade e dedicação ao marido. Por isso, ao optar por expor um desentendimento com o enteado, abriu espaço para uma pergunta inevitável: o que leva alguém que sempre preservou a esfera privada a decidir que o silêncio já não é mais possível?

    A resposta ainda não é conhecida, e seria irresponsável preencher essa lacuna com certezas que os fatos não sustentam. Entretanto, a ausência de respostas não elimina o direito de a sociedade formular perguntas legítimas. Pelo contrário, em uma democracia madura, acontecimentos que alteram significativamente o cenário político merecem ser analisados com profundidade, especialmente quando envolvem figuras públicas de grande relevância.

    Também chama atenção a proximidade temporal entre diferentes acontecimentos políticos daquele período: reuniões institucionais de Michelle Bolsonaro com ministros do Supremo Tribunal Federal, o delicado contexto jurídico de Jair Bolsonaro, mudanças em sua atuação partidária e, posteriormente, a divulgação de conflitos internos. A simples coincidência cronológica não demonstra qualquer relação de causa e efeito, nem autoriza conclusões sobre negociações ou interferências. Mas tampouco impede que jornalistas e analistas busquem compreender se existe um contexto mais amplo capaz de explicar essa sequência de fatos.

    A função do jornalismo responsável não é preencher lacunas com conjecturas, mas iluminar os pontos que ainda carecem de esclarecimento. Transparência não protege apenas a opinião pública; protege também as instituições e as pessoas envolvidas, afastando dúvidas por meio de informações verificáveis.

    Independentemente das razões que motivaram Michelle Bolsonaro, um fato parece incontestável: seu gesto revelou que ela deixou de ser percebida apenas como coadjuvante da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Hoje, ela é uma liderança com voz própria, cujas decisões repercutem dentro e fora do campo conservador.

    Os próximos capítulos dessa história talvez esclareçam as razões do rompimento. Até lá, cabe ao debate público manter uma postura de equilíbrio: questionar quando necessário, investigar quando possível e concluir apenas quando os fatos permitirem. É assim que se fortalece o jornalismo, preserva-se a credibilidade das instituições e se respeita o direito do cidadão de ser informado com rigor, e não com suposições.

    Mas, quais as Perguntas que ainda permanecem abertas?


    Embora não existam elementos para afirmar que houve qualquer negociação envolvendo decisões judiciais, algumas questões continuam sendo objeto de interesse político e jornalístico:

  • Quais foram exatamente as razões que levaram Michelle Bolsonaro a deixar o comando do PL Mulher?
  • O episódio decorreu exclusivamente de conflitos internos ou houve outros fatores estratégicos?
  • Qual será o papel político de Michelle Bolsonaro nos próximos anos?
  • Como o episódio afetará a reorganização da direita brasileira?

    Responder a essas perguntas dependerá de novos fatos, declarações e documentos que eventualmente venham a público. O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro demonstra como fatos políticos podem rapidamente dar origem a interpretações diversas.

    Até o momento, existem evidências suficientes para afirmar que houve desgaste interno, declarações públicas de insatisfação e mudanças relevantes dentro do partido. 

    Por outro lado, não existem elementos públicos que permitam concluir que seu afastamento tenha sido resultado de qualquer negociação envolvendo o Supremo Tribunal Federal, decisões judiciais ou a situação processual de Jair Bolsonaro, mas os próximos episódios dessa novela poderão apontar uma pista.

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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Há quem interessa naturalizar o Estado de Exceção?

Painel exposto no CCSP 

Por: Claudia Souza

Interessa justamente àqueles que descobriram que governar pelo medo é mais eficiente do que governar pelo debate. Quando o cidadão começa a aceitar censura como “proteção”, perseguição política como “defesa da democracia” e abuso de autoridade como “necessidade institucional”, a liberdade deixa de ser um direito e passa a ser um privilégio concedido pelo poder.

O mais perigoso do Estado de Exceção não é quando ele chega com tanques nas ruas. É quando ele se instala silenciosamente, travestido de normalidade, enquanto parte da sociedade aplaude porque acredita que só atingirá “o outro lado”.

Hoje censuram jornalistas, parlamentares e cidadãos comuns em nome do combate à desinformação. Amanhã, qualquer opinião divergente poderá ser tratada como ameaça. A história mostra que toda vez que instituições passam a agir sem limites claros, a democracia enfraquece — mesmo quando o discurso oficial afirma exatamente o contrário.

A liberdade de expressão não existe apenas para opiniões confortáveis. Ela existe principalmente para proteger a discordância. E quando um país começa a se acostumar com medidas excepcionais permanentes, o risco não é apenas político. É civilizacional.

Democracia de verdade não teme críticas. Não precisa silenciar vozes. Não transforma adversários em inimigos do Estado.

#LiberdadeDeExpressão #EstadoDeExceção #Democracia #DireitaBrasil #ConstituiçãoFederal

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Quando o STF irrita o Planalto, Lula fala o que ninguém ousa



Brasília já viu muita coisa, mas poucas cenas são tão reveladoras quanto quando um presidente perde a paciência com um ministro do Supremo. E foi exatamente isso que aconteceu quando Lula, em um daqueles momentos em que o filtro político evapora, resolveu disparar críticas públicas contra Dias Toffoli.

O estopim? As decisões de Toffoli que, nos bastidores, vinham irritando o Planalto — especialmente aquelas que soavam como freios, revisões ou recuos em temas que o governo considerava estratégicos. Lula, que nunca foi de esconder incômodos, deixou escapar o que muitos no governo cochichavam: que Toffoli estaria “atrapalhando”, “criando ruído” e, pior, “dando munição para quem quer ver o governo sangrar”.

O tom foi tão direto que pegou até aliados de surpresa. Porque Lula, quando resolve ser ácido, não precisa levantar a voz — basta escolher as palavras certas. E ele escolheu. Falou de decisões “incompreensíveis”, de “movimentos que não ajudam o país”, e deixou no ar a sensação de que Toffoli estaria mais preocupado com sua própria biografia do que com a estabilidade institucional.

Nos corredores do STF, o recado caiu como um trovão. Ministros comentaram, em voz baixa, que Lula “passou do ponto”. Outros acharam que ele apenas disse o que muitos pensam, mas não ousam verbalizar. Afinal, Toffoli vinha acumulando decisões que deixavam o cenário político mais nebuloso do que já estava — e nebulosidade, em Brasília, sempre tem dono.

O mais irônico é que Lula e Toffoli já foram aliados próximos. Já trocaram afagos públicos, elogios, gestos de confiança. Mas política é terreno movediço: basta um passo em falso, uma decisão mal recebida, e o clima muda. E mudou.

O episódio expôs algo que ninguém admite oficialmente, mas todo mundo sabe:
o STF e o Planalto vivem uma relação de dependência mútua, mas recheada de desconfiança.
E quando um lado resolve falar mais alto, o outro escuta — mesmo fingindo que não.

No fim, o que ficou foi a imagem de um presidente cansado de engolir sapos e de um ministro que, goste-se ou não, aprendeu a se mover como peça autônoma dentro do tabuleiro.
E Brasília, como sempre, assiste tudo com aquele sorriso torto de quem sabe que a novela está longe de acabar.

#Lula #DiasToffoli #STF #CrisePolítica #BastidoresDeBrasília #PoderJudiciário #TensãoInstitucional #PolíticaBrasileira #ShortsNews

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O Supremo contra o espelho




Brasília amanheceu em alerta. Não por causa de alguma ameaça externa, mas porque o Supremo Tribunal Federal decidiu mirar seus próprios reflexos. O ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, abriu mais uma frente de investigação — desta vez, contra servidores públicos suspeitos de violar dados fiscais de ministros da Corte e seus familiares.

A operação, autorizada por Moraes, foi rápida e implacável: busca e apreensão, tornozeleiras eletrônicas, passaportes retidos, afastamento das funções públicas. Tudo isso contra quatro servidores da Receita Federal e do Serpro, acusados de acessar ilegalmente informações sigilosas. Entre os alvos, dados da esposa de Moraes, do filho de Luiz Fux e de uma ex-enteada de Gilmar Mendes.

Mas o que chama atenção não é só o conteúdo — é o método.

Moraes agiu de ofício, sem provocação formal da PGR ou da PF. A justificativa? O inquérito das fake news, aquele mesmo que já virou um guarda-chuva para tudo que incomoda o Supremo. A Corte, que deveria ser o bastião da legalidade, agora se vê em um dilema: como exigir respeito ao devido processo legal quando ela mesma decide atropelar os ritos?

Ministros do STF estão divididos. Alguns acham que Moraes exagerou. Outros, que ele fez o que precisava. Mas ninguém ousa dizer em público que o Judiciário não pode ser vítima, investigador e julgador ao mesmo tempo. Porque, no Brasil, criticar o Supremo virou esporte de alto risco.

O presidente da Unafisco, Kléber Cabral, ousou. Disse que hoje é mais seguro fiscalizar membros do PCC do que autoridades da República. Resultado? Foi intimado por Moraes para depor na PF. Porque aqui, quem fala demais não é ouvido — é investigado.

Enquanto isso, a Receita Federal corre para mostrar serviço, prometendo auditorias e rastreamentos. Mas o estrago já está feito. O vazamento virou munição política, e a reação do Supremo, um espetáculo de força institucional que mais parece tentativa de blindagem pessoal.

No fim das contas, o que se vê é um tribunal que se incomoda mais com quem revela do que com o que foi revelado. Um Judiciário que se fecha em torno de si mesmo, como se a transparência fosse ameaça e não virtude.

E assim seguimos: com ministros que investigam seus próprios casos, servidores com tornozeleira por acessar sistemas, e um país que assiste tudo em silêncio, tentando entender se ainda existe alguma linha entre justiça e poder.


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sexta-feira, 30 de maio de 2025

O SILÊNCIO CÚMPLICE DO CONGRESSO: A ANISTIA COMO MOEDA DE TROCA POLÍTICA


    

    Por: Claudia Souza


    O Brasil assiste, mais uma vez, à instrumentalização da dor humana como moeda de troca no tabuleiro da política. A omissão dos ex-presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, diante da pauta da anistia aos presos do 8 de janeiro expôs um jogo frio e calculista, onde interesses eleitorais se sobrepõem à dignidade humana e aos pilares do Estado Democrático de Direito.

    Ambos foram eleitos com o compromisso de proteger a Constituição, a Justiça e a liberdade de expressão. No entanto, encerraram seus mandatos sem ao menos pautar a discussão da anistia para os presos, muitos dos quais ainda aguardavam julgamento, muitos deles sem provas individualizadas de envolvimento direto nos atos de vandalismo.

    A anistia tornou-se, na prática, uma chantagem eleitoral. O tema é manipulado por diferentes espectros políticos: da direita, que a reivindica ostensivamente, à esquerda, que historicamente se beneficiou da anistia, mas hoje a evita ou silencia. O resultado é o mesmo: um Congresso paralisado, onde a justiça é procrastinada e usada como ferramenta de conveniência.

    Enquanto isso, os familiares dos presos — muitos dos quais jamais foram flagrados em atos de depredação — tornaram-se reféns emocionais, figurando como peças sacrificáveis em estratégias de poder e reeleição.

    A substituição de Lira e Pacheco ao final de seus mandatos, elegeram nas articulações Hugo Motta e Davi Alcolumbre com suposto apoio que apenas deslocou o epicentro da manipulação: nenhuma mudança concreta ocorreu, apenas novos atores assumiram o controle do impasse.

    A inércia do Congresso diante do Supremo Tribunal Federal evidencia uma inversão preocupante de papéis institucionais. Parlamentares que deveriam legislar com independência rendem-se à pressão da Corte. A pauta da anistia parece paralisada não por convicções jurídicas, mas por medo — medo de represálias, de investigações ou de perda de capital político.

    Cada pronunciamento em defesa dos "injustiçados" do 8 de janeiro esconde um cálculo: manter o tema quente o bastante para render votos, mas jamais resolvê-lo de forma definitiva. Essa ambiguidade estratégica mantém a pauta em suspensão, útil como combustível de discursos inflamados, mas descartável na prática.

    A seletividade da justiça é evidente. Enquanto vários presos políticos aguardam julgamento sem provas concretas de participação ativa, criminosos do colarinho branco e figuras historicamente ligadas à violência armada foram beneficiados por perdões, habeas corpus e progressões de regime.

    Casos como o de Sérgio Cabral, condenado a 425 anos de prisão e libertado após seis anos, contrastam com o rigor aplicado aos réus do 8 de janeiro. A incoerência se aprofunda ao lembrarmos de ativistas armados da ditadura que participaram de sequestros e ações violentas — como o caso do embaixador americano Charles Elbrick em 1969 — e que, após a anistia, foram indenizados e celebrados como heróis nacionais.

    A própria Lei da Anistia (Lei nº 6.683/1979), sancionada por um general — João Figueiredo — concedeu perdão a crimes cometidos tanto por opositores do regime quanto por agentes do Estado. Muitos dos que hoje se opõem à anistia foram, direta ou indiretamente, seus beneficiários.

Ex-políticos e artistas beneficiados:

Lula – Atuação sindical durante a ditadura contribuiu para o ambiente que permitiu sua ascensão política.

José Dirceu – Exilado em Cuba, retornou com a anistia.

Fernando Gabeira – Participou do sequestro de Elbrick, retornou como jornalista e deputado.

José Genoíno – Guerrilheiro do Araguaia, preso e depois eleito deputado.

Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Paulo Freire – Censurados e/ou exilados, voltaram à cena nacional com a redemocratização.

    Entre os anos 1990 e 2000, muitos anistiados passaram a receber indenizações e pensões vitalícias. Segundo o Correio Braziliense, desde 2003, o governo federal já desembolsou mais de R$ 3 bilhões em reparações.

    Enquanto ignora as petições populares por anistia e justiça, o Congresso prioriza votações inócuas: “Dia Nacional do Amor-próprio”, “Dia do Rodeio”, “Semana da Educação Física” e homenagens vazias que nada impactam saúde, segurança ou educação.

    A cada dia, fica mais evidente a desconexão entre os representantes eleitos e os interesses reais da população. A omissão legislativa é não apenas institucional — é estratégica. O silêncio não é omissão: é cálculo.

    A cada dia de inação, a anistia vai se transformando em uma ferramenta de manipulação da opinião pública. Não se trata de defender depredações ou atos antidemocráticos, mas de assegurar que todo cidadão, culpado ou inocente, seja julgado com base em provas, individualização de conduta e respeito ao devido processo legal.

    É legítimo debater os limites da anistia. É essencial punir os responsáveis pelos danos. Mas é inaceitável que, num país onde estupradores, corruptos e traficantes obtêm habeas corpus, presos políticos sem condenação definitiva continuem encarcerados como exemplo, intimidação ou munição eleitoral.

    Se o Congresso teme o STF, que o diga. Se foge da pauta por medo, que admita. O que não é mais aceitável é fingir neutralidade enquanto lucra com o sofrimento humano.

    A democracia não pode ser seletiva. O perdão não pode ser moeda de chantagem. E a justiça não pode servir de espetáculo.

    Enquanto presos forem usados como troféus ou trampolins eleitorais, não haverá justiça — apenas encenação. E num país onde a encenação vale mais que a lei, todos estamos em risco.



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O que diz o artigo 220 da Constituição?

§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV. § 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Crise de Civilidade no Senado: Marina Silva Deixa Comissão Após Ofensas




Por Claudia Souza


    A sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado nesta terça-feira (27 de maio de 2025) transformou-se em um palco de tensão e desrespeito. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi alvo de ataques verbais por parte de senadores, culminando em sua saída antecipada da audiência.

    Convidada para discutir a criação de unidades de conservação marinha na região Norte, Marina Silva enfrentou críticas contundentes. O senador Plínio Valério (PSDB-AM) afirmou que "a mulher merece respeito, a ministra não", recusando-se a pedir desculpas após a ministra expressar indignação. Este episódio levou Marina a se retirar da sessão, declarando que não poderia permanecer diante de tamanha falta de respeito.

    Durante a audiência, Marina também foi interrompida pelo presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), que a mandou "se pôr no seu lugar". A ministra respondeu: "O senhor gostaria que eu fosse uma mulher submissa. Eu não sou".

    A atitude dos senadores gerou reações imediatas. Parlamentares e membros do governo manifestaram apoio à ministra. A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) acusou o presidente da comissão de machismo, enquanto o líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), defendeu Marina, apoiando sua decisão de deixar a audiência.

    O episódio evidencia a necessidade urgente de promover um ambiente de respeito e civilidade no debate político brasileiro. A ministra Marina Silva, ao se retirar da sessão, destacou a importância de manter a dignidade no exercício de suas funções. Este incidente serve como um alerta para a sociedade sobre os desafios enfrentados por mulheres em posições de liderança e a importância de combater atitudes misóginas e desrespeitosas no cenário político.

    Análise:

    O que se viu hoje na Comissão de Infraestrutura do Senado foi um espetáculo lamentável, indigno da gravidade dos temas que estavam em pauta e do cargo que cada um dos presentes ocupa. A Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de duras críticas — algumas legítimas, outras claramente pautadas por oportunismo político — mas o que mais saltou aos olhos não foi apenas a contundência dos questionamentos, e sim a total incapacidade da ministra em respondê-los de forma satisfatória.

    Marina Silva, figura histórica da política ambiental brasileira, demonstrou um despreparo alarmante diante das perguntas que exigiam clareza sobre investimentos, impactos regulatórios e gargalos nas obras de infraestrutura. Fugiu dos dados, tergiversou sobre metas, e limitou-se a discursos vagos sobre sustentabilidade e proteção ambiental. Não é com retórica que se resolve o nó entre desenvolvimento e preservação; é com competência técnica, visão de Estado e coragem de se comprometer com soluções práticas.

    Mas não se pode falar apenas da ministra sem apontar o dedo também para a triste performance dos senadores. Muitos deles, escudados em sua autoridade parlamentar, ultrapassaram o limite da crítica política e partiram para agressões pessoais, interrupções desrespeitosas e até mesmo ironias ofensivas. Não se trata de proteger Marina Silva da cobrança — ela ocupa um cargo que exige prestação de contas — mas de reconhecer que o tratamento que recebeu em alguns momentos revela o nível rasteiro a que chegou o debate público no Brasil.

    O episódio de hoje expõe uma ferida aberta: a total falência do ambiente político como espaço de diálogo construtivo. O governo, por sua vez, parece incapaz de articular respostas coordenadas e coerentes. Seus ministros falam em códigos ideológicos, ignoram a realidade concreta da população e não oferecem soluções palpáveis para os entraves ao progresso do país. A oposição, em vez de agir como força fiscalizadora responsável, se comporta como torcida organizada, mais interessada em criar clipes virais do que em propor algo útil.

    O Brasil vive uma estagnação crônica em sua infraestrutura, sua produtividade e sua governança. E enquanto os representantes do povo transformam comissões parlamentares em arenas de vaidade e ofensa, quem perde é o cidadão que precisa de estradas, energia, saneamento, emprego e dignidade. A cena de hoje foi mais uma prova de que, do jeito que está, ninguém ali parece preparado para levar o país adiante. O Brasil está parado — e seus líderes, perdidos em discursos e brigas de ego.

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Assista ao vídeo completo da audiência:

https://www.youtube.com/watch?v=yfpgJ0aY7G8&t=2546s


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