O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo, 25 de outubro de 2026, para o seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. Em uma disputa voto a voto, o petista obteve 51,74% dos votos válidos (62,6 milhões), superando o senador Flávio Bolsonaro (PL), que alcançou 48,26% (58,4 milhões). A vitória consolida um feito inédito desde a redemocratização: é a primeira vez que um candidato consegue reverter uma desvantagem do primeiro turno para vencer a corrida presidencial.
O desfecho nas urnas contrariou algumas das principais pesquisas eleitorais divulgadas na véspera do pleito. Parte dos levantamentos indicava um cenário de empate técnico, mas com uma ligeira vantagem numérica para o candidato do PL. Essa divergência entre as sondagens e o resultado final, somada a decisões judiciais atípicas no dia da votação, tornou-se o combustível para a forte reação da oposição.
O momento de maior tensão do domingo ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h em seções específicas. A medida atendeu a pedidos das duas campanhas — a de Lula relatou falhas no transporte público de eleitores, enquanto a de Flávio citou fortes chuvas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a suspender temporariamente a divulgação da apuração, que só foi retomada no início da noite.
Em seu pronunciamento após a confirmação da derrota, Flávio Bolsonaro adotou um tom de recusa. O candidato do PL declarou ser "impossível reconhecer o resultado das eleições do jeito que aconteceram". Flávio criticou duramente a extensão do horário de votação, classificando a decisão como uma "canetada" de última hora que teria quebrado a isonomia entre os eleitores. A campanha de oposição já sinalizou que pretende entrar com recursos pedindo a anulação do pleito.
Do lado governista, a vitória foi celebrada como a validação das políticas implementadas no terceiro mandato. Durante a campanha, Lula focou em ressaltar o cumprimento de promessas de gestão, dando amplo destaque a iniciativas recentes como o programa Pé-de-Meia (que oferece incentivo financeiro para estudantes de baixa renda no ensino médio) e o Desenrola Brasil (focado na renegociação de dívidas).
Para os próximos quatro anos, o presidente reeleito assumiu o compromisso de aprofundar as medidas sociais e econômicas, encampando também novas pautas que ganharam força nas ruas, como as discussões sobre a redução da escala de trabalho.
A apuração deste domingo refletiu o cenário de um país dividido. Flávio Bolsonaro chegou a liderar a contagem oficial de votos por 38 minutos, até que Lula assumisse a dianteira definitiva às 20h24. A partir de 5 de janeiro de 2027, data oficial da posse, o presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), terão o desafio não apenas de encontrar espaço no Orçamento para as novas promessas, mas também de buscar a pacificação em meio a uma oposição fortalecida e descontente com o processo eleitoral.
De acordo com a Exame e a GZH, os principais pontos do seu discurso foram:
- Recusa do resultado: Ele declarou ser "impossível reconhecer o resultado das eleições do jeito que aconteceram".
- Crítica à prorrogação da votação: O principal argumento do candidato derrotado foi direcionado à decisão do ministro do STF, Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação em duas horas. Flávio classificou a decisão como uma "canetada" e afirmou que a extensão comprometeu a isonomia do pleito.
- Pedido de anulação: Ele declarou que vai recorrer ao meio jurídico para solicitar a anulação da disputa. O candidato afirmou: "A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo".
- Mensagem aos apoiadores: O senador encerrou seu discurso afirmando: "Eu não vou desistir desse Brasil".










