Hoje, vamos analisar um artigo acadêmico recente muito importante assinado por Gabriel Victor da Silva Parreira e Aline de Assis Rodrigues do Amaral Muniz (2024), intitulado "Princípio da Isonomia: desigualdade racial como problemática ainda atual".
Esse estudo nos força a olhar para uma das maiores contradições do nosso país: se a Constituição garante que somos todos iguais, por que a cor da pele ainda determina o destino de tantas pessoas no Brasil?
O Que É o Princípio da Isonomia?
Na linguagem jurídica, a "Isonomia" é a garantia de que todos devem ser tratados de forma igual perante a lei. É um princípio lindo na teoria. Porém, o artigo nos lembra que a igualdade não pode ser apenas um "ideal abstrato" escrito em um pedaço de papel.
Existe uma diferença gigantesca entre a igualdade formal (aquela que está na lei) e a igualdade material (aquela que acontece na vida real). O racismo estrutural no Brasil faz com que as manifestações de desigualdade nas esferas educacional, socioeconômica e até jurídica continuem firmes e fortes, mesmo com todos os avanços legais e mudanças sociais das últimas décadas.
O Papel do Estatuto da Igualdade Racial
Os autores destacam um marco fundamental na nossa história recente: o Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288 de 2010). A criação dessa lei foi um reconhecimento oficial, por parte do Estado brasileiro, de que precisamos intervir na sociedade.
O Estatuto não é apenas uma declaração de boas intenções; ele reflete a necessidade urgente de políticas públicas eficazes e ações afirmativas para enfrentar o racismo estrutural e promover a inclusão social dos afrodescendentes. Ele nos ensina que, para atingir a verdadeira isonomia, o Estado muitas vezes precisa tratar os desiguais de forma desigual, oferecendo pontes (como a Lei de Cotas) para quem historicamente foi deixado para trás.
O Que Isso Tem a Ver Com o Seu Voto?
O estudo conclui que a isonomia deve ser um "farol orientador" para a construção de um país mais justo. A igualdade não vai acontecer sozinha. Ela exige um compromisso concreto de todas as instituições e atores sociais para promover os direitos humanos.
É aqui que o seu voto entra em cena. Eleger representantes (vereadores, prefeitos, deputados, etc.) que acreditam que o racismo "não existe mais" é um retrocesso. Precisamos escolher candidatos que leiam os dados, entendam a realidade socioeconômica e se comprometam ativamente em financiar e manter políticas públicas de inclusão. O destino de um indivíduo nunca deve ser determinado pela sua cor, e a política é a ferramenta que temos para garantir que a balança da justiça seja realmente equilibrada.
***

