A análise do mercado de trabalho brasileiro entre 1995 e 2009 revela que, apesar do aumento da participação feminina, as disparidades raciais e de gênero continuam a estruturar a economia do país. A taxa de desocupação ilustra claramente esse abismo: em 2009, enquanto os homens brancos apresentavam a menor taxa de desemprego (cerca de 5%), as mulheres negras enfrentavam a maior taxa (aproximadamente 12%).
Além do desemprego, há uma nítida segregação ocupacional. As mulheres, e especialmente as mulheres negras, concentram-se no setor de serviços sociais e domésticos, enquanto os homens, sobretudo negros, estão sobre representados na construção civil. No âmbito do trabalho doméstico remunerado, a desigualdade racial é marcante. Em 2009, 21.8% das mulheres negras ocupadas exerciam o trabalho doméstico, em comparação com 12,6% das mulheres brancas. A precarização também tem cor: 29,3% das trabalhadoras domésticas brancas possuíam carteira assinada em 2009, contra 24,6% das trabalhadoras negras.
Essas dinâmicas do mercado de trabalho refletem-se diretamente na distribuição de renda. Embora a desigualdade e a pobreza extrema tenham sido reduzidas no período analisado, a pirâmide social sofreu poucas alterações em sua base. Em 2009, as mulheres negras permaneceram isoladas na base da hierarquia, com uma renda média equivalente a apenas 30,5% dos rendimentos recebidos pelos homens brancos.
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